Matéria da Revista ADEALQ

Edição 2015-01

Café em Tubetes, A Origem

Editoria: Ex-Adealq

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ANTONIO CARLOS MARQUES DA COSTA, O TONINHO, HOJE COM 62 ANOS, CONTA COM DETALHES COMO SURGIU A IDEIA DE CULTIVAR AS MUDAS EM CONES DE PLáSTICO, PRáTICA QUE SE ESPALHOU PELO MUNDO.

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Puro ou com leite. Forte ou fraco. Quente ou bem quente. O café é um ingrediente essencial no dia a dia de grande parte dos brasileiros, mas poucos sabem detalhes sobre seu plantio, assim como sobre o uso de tubete no processo inicial de produção. “até hoje é uma prática eficiente, que oferece mais controle sobre as doenças e a redução de custos, e permite acompanhar de perto a evolução da muda. Este processo é usado em todos os países produtores de café, como a Costa Rica”, explica Anísio José Diniz, engenheiro agrônomo e pesquisador da área de Transferência de Tecnologia da Embrapa Café.

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E pensar que essa ideia tão simples, prática e bem-sucedida nasceu da observação atenta de um esalqueano! Antonio Carlos Marques da Costa, natural da cidade paulista de Garça e filho de cafeicultores, formou-se engenheiro agrônomo na 74a turma da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ), em 1976. Tão logo se formou, Toninho, como é conhecido, foi trabalhar na Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Marília (Coopemar), como extensionista. “Na região de solos arenosos, havia – e ainda há – uma moléstia limitante na produção cafeeira: os nematoides”, explica Toninho, que continua: “O sistema adotado até então, de produção de mudas de café enxertadas em balainhos de terra, tinha baixíssimo rendimento. A viabilidade de renovação ou plantio naquelas áreas ficava prejudicada diante da limitada produção de mudas. Enxertavam-se 100 mudas e vingavam de 30% a 40%”.
 
"HOJE VEJO, ORGULHOSO, O BRASIL CAFEEIRO APERFEIÇOANDO E UTILIZANDO ESSA TECNOLOGIA EM GRANDE ESCALA”

Incomodado com esse baixo resultado, Toninho testou, em 1985, o uso de placas de isopor na produção de mudas de café comuns. “elas ficavam exuberantes, mas havia o inconveniente do alto preço das placas e sua fragilidade para reutilização”, lembra o pesquisador. Nessa época, ele foi para a cidade paulista de Penápolis aprender a operacionalizar a produção de mudas de eucalipto.
Estas estavam sendo produzidas, em grande escala, em tubetinhos de plástico com 2,5 cm de diâmetro e 10 cm de altura. “Foi aí que pensei: ‘por que não produzir mudas de café enxertadas em tubetes?’”, conta.

TUBETES SOB MEDIDA

Com o apoio da diretoria da Coopemar, Toninho encomendou da Fábrica Camdiz, em São Paulo, que já produzia os tubetinhos de eucalipto, 5.000 tubetes de 5 cm de diâmetro por 15 cm de altura e volume de 130 ml. Ele optou usar o substrato de casca de eucalipto triturada da Eucatex Mineral e a bomba Anauger para a irrigação com microaspersores bombeados. O sombreamento foi testado com sombrite 50% – novidade na época –, e as telas produzidas para aquelas dimensões ficaram suspensas a 80 cm do solo com cavaletes de concreto.
As adubações foram feitas em baixa concentração de sulfato de amônio, mais supersimples e outros. “Após quatro, cinco meses, observamos a soltura das mudas e a raiz pivotante, que não se enrolava porque o interior do tubete era liso, com raias laterais, impulsionando as raízes para baixo”, esclarece.
Animado com os aspectos agronômicos positivos, faltava testar as mudas no campo. E deu tudo certo. Nos anos seguintes apareceram duas novas ferramentas que consolidaram a tecnologia: os fertilizantes encapsulados de lenta liberação e os plásticos biodegradáveis que foram utilizados na união da enxertia. “Depois adaptamos mais alguns cuidados na produção e passamos a ser pioneiros nesse tipo de produção”, revela Toninho, que ressalta a intensa participação do também engenheiro agrônomo e esalqueano Wallace Gonçalves, pesquisador da Seção de Genética do Instituto Agronômico (IAC), nessa revolucionária experiência cafeeira.

O reconhecimento veio em 16 de outubro de 1991, quando o jornal O Estado de S. Paulo, no seu Suplemento Agrícola, e também O Estado de Minas publicaram matéria sobre o assunto. “A partir de então tivemos muitas visitas e hoje vemos o Brasil cafeeiro aperfeiçoando e utilizando essa tecnologia em grande escala”, finaliza Toninho, orgulhoso.

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